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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Efêmera


Oi Naty,
Sou ambígua, um museu de contradições em forma de pessoa. Tenho fases que duram muito menos do que as da lua. As músicas que eu ouvia, agora me soam ridículas; as roupas que eu usava já me parecem bregas; algumas pessoas que eu incluía nos meus grandes planos, se tornaram pequenas demais. A maioria dos sonhos duraram apenas uma estação. O meu nunca mais valeu por três dias. Ontem, medicina. Hoje, farmácia.
Choro a toa por motivos bobos e não me deixo abalar com os problemas reais. 
Acredite, eu sou a pessoa mais fria e mais carente que você já conheceu. Se eu disser que amo, desconfie. Se eu disser que odeio, provavelmente é porque eu amo. Digo não querendo dizer sim e digo sim sem vontade. Não gosto de gente muito boazinha e não sei lidar com muita sinceridade. Tenho sentimentos efusivos, reações ponderadas e mudo fácil de ideia, sem me envergonhar disso. Reciclo conceitos, sofro influências externas, adoro uma intelectualidade e sempre me apaixono pelo bonitinho oco. Gosto de ficar sozinha, gosto de ver gente. Vou de Strokes a Britney Spears. Tenho muito medo do imprevisível, odeio rotina. Temo as mudanças, sou inconstante da cabeça aos pés. Faço de contos um romance, me rendo fácil aos amores platônicos e nunca dei uma chance aos que realmente me queriam. Sou desconfiada e ingênua, exigente e simples. Eu sou uma sequência sem lógica, uma charada sem resposta, um eterno parênteses em aberto. Quem sabe depois de escrever tudo isso eu não me torno mais coerente, pra contrariar.

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