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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Outra primavera



Oi Naty,
 Eu saí de casa com um objetivo: errar mais uma vez. Como réu de mim mesma, fui condenada por atentar contra a própria vida, já que estava me lançando ao fogo tão espontaneamente. Mas a expectativa de ver aquele sorriso largo inundar meu coração de amor, de dor, me fez teimosa. Eu sabia que sua presença era disputada em um final de domingo, mas mesmo se eu não o tivesse ali, eu precisava ao menos ouvir o meu nome preferido sair de uma boca que não fosse a minha.
A minha tarde de primavera parecia implorar por ele; o sol precisava ser ofuscado por algo de beleza maior para se sentir tímido e partir, dando lugar à noite. O dia esperou impaciente, mas enfim se pôs, frustrado. A sua ausência foi parcialmente compensada pelos que estavam presentes; estes me fizeram rir tanto que, por alguns minutos, eu esqueci o que estava faltando. Mas quando me disseram que teríamos que deixar aquele lugar e ir a outro, eu senti minha barriga formigar de felicidade. Este outro local era o meu precipício, e eu queria pular logo. Algumas pessoas se manifestaram e pediram para que não fôssemos, estava tudo tão bom ali. Eu quis matá-las por isso. Eu estava me divertindo muito, mas precisava dele, só um pouquinho. Logo surgiu outro problema: eu. Alguém, zeloso, supôs que eu me sentiria mal com aquele encontro e após dar algumas risadas da minha repentina gagueira, concluiu que seria melhor que não fôssemos. Eu pensei em gritar, confessar o meu desejo de vê-lo. Fiquei quieta, de coração partido. Ainda sim, continuei aproveitando minha noite de primavera sem chuva. Em uma estação de tantas flores, eu me irritei ao perceber que nada tem conseguido florir dentro de mim, somente aquele maldito capim, que por mais que eu corte, cresce de novo, incomoda de novo...

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