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terça-feira, 23 de agosto de 2011

mulher é sujeito, não objeto



Oi Naty,
Quando foi que vulgaridade virou sinônimo de modernidade? Acho que o meu dicionário anda meio desatualizado ou então foram os meus princípios que pararam no tempo. Mas sinto-me assim: envergonhada.
As mulheres sempre desempenharam um papel secundário e de poucas falas na História. Fomos inferiorizadas, humilhadas, esquecidas, subestimadas. Lutamos muito para conseguir a tal liberdade e, embora a situação feminina ainda não seja de igualdade, conquistamos muito e devemos nos orgulhar disso. Hoje, apesar de tudo, podemos falar e ser ouvidas, questionar e obter respostas. Deixamos de ser somente uma máquina programada para cozinhar, limpar, educar e satisfazer. No entanto, espanta-me a forma com a qual temos sido representadas por aí. Sei que vou parecer antiquada, mas foi-se o tempo em que eu ouvia uma música de letra obscena sem me questionar o que pensam que nós somos. Sem feminismo, sem preconceito, mas será mesmo interessante tratar de sexo de uma forma tão mesquinha? Eu sou a primeira a defender que cada um deve fazer o que bem entender, com quem quiser, na hora que sentir vontade, se isso lhe parece certo. Mas sair gritando meia dúzia de palavras chulas acompanhadas de alguns gemidos forçados... sério, isso extrapolou o conceito de música e passou a ofender qualquer pessoa que se importe com o conteúdo do que ouve. Meninas de doze anos já têm muito mais experiência do que muita garota de dezoito; brincar de médico parece ter substituído de vez as bonecas. Isso é mente aberta? Pois então, eu sou careta sim. Sem hipocrisia, acho super justo que a mulher possa expressar suas vontades, seus desejos, sem culpa ou constrangimento. Mas toda liberdade precisa ser medida, para que não ultrapasse a linha do bom-senso. Eu prezo muito o auto-respeito, tanto em homem, quanto em mulheres. Admiro quem sabe o que dizer e como dizer. Temos sim que falar de sexo, quebrar tabus, trocar informações, dividir experiências; mas por favor, vamos fazer isso sem perder a compostura, sem tornar a vulgaridade uma marca da nossa geração. Não precisa ser assim pra ser inovador e divertido. Se nós mulheres não nos dermos o devido valor, não poderemos cobrar isso dos homens. Se nos apresentarmos como pedaços ocos de carne, seremos tratadas assim. Não vamos ser ingênuas, nem puritanas; mas que tal tentarmos resgatar aquela sensualidade das mulheres de antigamente? Garanto que elas instigavam mais os homens do que essas "popozudas" semi-nuas e anabolizadas. Vamos fazer jus às nossas conquistas, afinal de contas, não passamos séculos reivindicando dignidade? Pois então, chega de aplaudir essas pessoas que insistem em nos tratar como bonecas infláveis. Uma mulher livre e ousada causa encantamento, mas quando ela passa a ser vulgar, se torna motivo de repulsa. Eu quero poder acreditar que as mulheres ainda têm sua doçura misteriosa, sua força camuflada em delicadeza. Podemos viver em igualdade com os homens, sem nos tornarmos um deles.

"Não me importo em ser glamourosa e sensual, mas isso pode se tornar um fardo. Um objeto sexual se torna uma coisa, e eu detesto ser apenas uma coisa" (Marylin Monroe)   

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