Oi Naty,
Me sinto presa e anseio pela liberdade. O mau hábito de destinar os meus sentimentos a uma única pessoa tem me cegado. Meu julgamento é distorcido pela figura pálida que manipula minhas emoções.
O amor que por tanto tempo carreguei comigo, agora sabe que precisa me deixar seguir em frente, mas sente-se confortável habitando meu peito e insiste em não deixá-lo.
Meu peito, por sua vez, implora desesperadamente para que o amor se retire, para que outras afeições possam adentrá-lo, ou para simplesmente poder desfrutar da calmaria de ser vazio. No entanto, o temor de caminhar por uma trajetória diferente e correr o risco de ser machucado mais uma vez, parece fazê-lo se sentir conformado e seguro por abrigar o velho amor. Ele sabe que precisa se libertar, mas tem medo.
Meus olhos procuram novos sorrisos para admirar, mas sempre que encontram algum, dizem que o antigo era mais reluzente e encantador; me forçam a pensar que nenhum é bom o bastante para substituí-lo.
Minha mente tenta correr, me mostra outras direções, mas sempre que se sente ameaçada, dá meia volta e recomeça a seguir por aquele destino que já se acostumou, por aquela trajetória rotineira.
O que quero dizer, é que eu não me permito mudar, eu não me apoio. Eu quero esquecer tudo que já me fez sofrer, mas não colaboro para isso. Me recuso a ser feliz, me acostumei a sofrer baixinho.
Acomodei-me ao não e ao talvez. Tampo os ouvidos para o sim. Sou teimosa, sou covarde, sou ferida. Sinto-me como uma criança que tentou andar pela primeira vez, caiu e agora tem medo de se levantar. Sei que preciso aprender a caminhar sozinha, mas não suporto a ideia de um novo tombo.
Quando me permitirei a liberdade?
"A sua lembrança me dói tanto. Eu canto pra ver se espanto esse mal, mas só sei dizer um verso banal. Fala em você, canta você. É sempre igual." (Chico Buarque)

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