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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Por debaixo dos panos

Oi Naty,

Estive pensando sobre como seria a minha vida se eu não pudesse falar. Não me refiro à fala em si, mas à liberdade de expressão. Como seria minha vida se eu tivesse que me sujeitar a um marido e ser tratada como algo inferior? Atrevida que sou, acho que não aguentaria tão pesado fardo.
Observei algumas mulheres muçulmanas, li a respeito delas e pensei muito. Vivem cobertas por panos, como se fossem algo bizarro, que não pode ser visto. Pior: não têm controle sobre suas próprias vidas, nem para escolher o marido.
O que escondem aqueles véus? Mulheres como eu? Que têm o mundo dentro de si, mas que ao contrário de mim não podem questioná-lo? Essas mulheres sonham? Desejam? Amam de verdade?
 Têm amor próprio?
São perguntas que não cabem a mim responder, pois nunca vivi essa experiência, sou ocidental, vejo isso com estranheza. Mas e elas? Eu adoraria poder conversar com uma muçulmana, uma conversa franca e sem pudores. Perguntaria como elas se sentem, o que elas pensam, quais são seus sonhos. Eu questionaria como é viver por debaixo dos panos, como é não poder ter voz, como lidam com o sexo.
Uma tradição respeitada há milênios, mas que não se modifica, não se adapta à contemporaniedade. Quantas mulheres já não foram caladas, quantos amores impossíveis já não existiram.. quantas mulheres muçulmanas não foram apedrejadas, por pensar como eu, por querer ser alguém? Como é não ter o tal livre arbítrio?
Religião não é meu assunto preferido, tampouco penso em discutí-lo agora, mas que Deus é esse que dá voz às suas filhas para que estas só possam dizer "sim senhor"?

Volto a escrever. Bjs *

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