- e essa frase tão repetida por sua avó parecia ensurdecê-la enquanto encarava, sem reação, um calendário marcando o primeiro dia do mês. Decidiu rezar e pedir pra que nada de mal acontecesse a algum ente querido. Em seguida, começou a analisar sua própria vida e prever tudo o que de terrível viria por aí. "Aposto que vou perder o emprego" - mas logo concluiu que isso não seria tão grave, pois há tempos está insatisfeita na empresa, querendo atuar em sua própria área, começar uma carreira de verdade. "Já sei, vou continuar solteira" - mas lembrou dos últimos relacionamentos e entendeu que talvez fosse melhor mesmo, porque sua vida amorosa tem sido um desastre desde a adolescência, quando terminou o namoro por causa do intercâmbio. E de tanto pensar, percebeu que embora tivesse saúde e isso fosse o principal, o resto estava completamente fora do lugar. "Nada tem dado certo! Talvez agosto seja um mês maravilhoso para os azarados". E criando uma nova lenda, sentiu-se encorajada. Ligou para a academia e pro salão de beleza. Marcou várias entrevistas de emprego e decidiu aprender uma nova língua. Combinou de sair com algumas amigas e, por acaso, encontrou aquele namorado, Augusto, que havia trocado pela Austrália quando mais nova. Conversaram sobre o passado, sobre o presente e em alguns dias já falavam sobre o futuro. O mês foi passando repleto de realizações, mesmo com gato preto, sapato virado e espelhos quebrados. Mas a fase boa não era sorte, era consequência. E ao se convencer disso, ela parou de temer setembro. Agora, sempre que alguém diz "ainda bem que agosto está acabando", ela ensina que pra atravessar esse mês, é preciso carregar no peito dois amuletos: a fé e a coragem. As coisas são do modo como as enxergamos: agosto é mês oito e oito deitado é infinito. Só algo maravilhoso pode ser infinito. Azar existe pra quem não acredita que é capaz de escrever a própria sorte.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
[a]gosto de coisa boa
- e essa frase tão repetida por sua avó parecia ensurdecê-la enquanto encarava, sem reação, um calendário marcando o primeiro dia do mês. Decidiu rezar e pedir pra que nada de mal acontecesse a algum ente querido. Em seguida, começou a analisar sua própria vida e prever tudo o que de terrível viria por aí. "Aposto que vou perder o emprego" - mas logo concluiu que isso não seria tão grave, pois há tempos está insatisfeita na empresa, querendo atuar em sua própria área, começar uma carreira de verdade. "Já sei, vou continuar solteira" - mas lembrou dos últimos relacionamentos e entendeu que talvez fosse melhor mesmo, porque sua vida amorosa tem sido um desastre desde a adolescência, quando terminou o namoro por causa do intercâmbio. E de tanto pensar, percebeu que embora tivesse saúde e isso fosse o principal, o resto estava completamente fora do lugar. "Nada tem dado certo! Talvez agosto seja um mês maravilhoso para os azarados". E criando uma nova lenda, sentiu-se encorajada. Ligou para a academia e pro salão de beleza. Marcou várias entrevistas de emprego e decidiu aprender uma nova língua. Combinou de sair com algumas amigas e, por acaso, encontrou aquele namorado, Augusto, que havia trocado pela Austrália quando mais nova. Conversaram sobre o passado, sobre o presente e em alguns dias já falavam sobre o futuro. O mês foi passando repleto de realizações, mesmo com gato preto, sapato virado e espelhos quebrados. Mas a fase boa não era sorte, era consequência. E ao se convencer disso, ela parou de temer setembro. Agora, sempre que alguém diz "ainda bem que agosto está acabando", ela ensina que pra atravessar esse mês, é preciso carregar no peito dois amuletos: a fé e a coragem. As coisas são do modo como as enxergamos: agosto é mês oito e oito deitado é infinito. Só algo maravilhoso pode ser infinito. Azar existe pra quem não acredita que é capaz de escrever a própria sorte.
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Nossas escolhas definem quem somos, nossos atos definem nosso futuro. Tem sim uma mão de Deus em tudo, mas nós somos responsáveis pelo nosso destino. Precisamos merecer e querer. Por isso, concordo contigo, mas penso que azar é pra quem não se dedica a escrever a própria sorte! =)
ResponderExcluirGostei do texto!
Abraços