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sábado, 16 de junho de 2012

seu calor, minha cura



Eu ficava sentada no sofá encarando a porta, esperando qualquer movimento da maçaneta. Aguardava sua chegada feito menina pequena que procura o sol entre as nuvens em um dia de praia. Então ele aparecia e deixava quente as paredes geladas do meu apartamento, deixava quente as paredes geladas do meu coração. Fazia do nosso amor um poema, declamava intensidade ao pé do meu ouvido e minhas bochechas coradas faziam seu sorriso desconsertante clarear a minha vida. E eu me aconchegava em seus braços quentes do meu calor, sentia-me especial por pertencer àquele lugar, meu lugar preferido. Passávamos alguns minutos em silêncio, perdidos um no olhar do outro, eu só sabia agradecer. Eu que sempre tão fria, jamais esperava ver a luz entrar pela janela do meu quarto e me escolher pra viver tudo aquilo que antes me parecia mentira que o povo conta pra fazer menina sonhadora sofrer. Eu despertava de um sono tranquilo com seu beijo quente em meu ombro. O amanhecer era tão colorido, embora chovesse lá fora, que ardia os meus olhos. Enquanto ele lia as notícias do jornal, eu pensava que o resto do mundo pouco importava se ele estivesse comigo. Meu peito transbordava felicidade agora, ao ler "sábado" naquela capa desbotada e lembrar que ele seria meu o dia inteiro e que amanhã ele seria completamente meu mais uma vez e que naquela cidade, o sol só apareceria dentro do meu apartamento. Nosso amor, seu calor, minha cura.  


O sol nasce em plena noite escura
Tinge o quarto de outra cor
Teu calor provoca minha cura
Luz da aurora, meu amor
(Aconselho - Móveis Coloniais de Acaju)


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