Oi Naty,
Acordei pensando sobre aquela nossa discussão a respeito da palavra "prolixa". Hoje eu realmente vi o quanto esse adjetivo nos cabe perfeitamente, essa mania de fazer um instante virar eternidade. Li então um texto da escritora Tati Bernardi, por acaso, no qual ela despejava toda sua insegurança diante do homem que iria encontrar em uma hora. Ela falava sobre uma tal infantilidade emocional e por um instante eu pensei que ela falava sobre mim. Serve um pouco pra você também, certo? Depois disso eu já estava associando a prolixidade com toda essa fuga amorosa pelo caminho das palavras. Esses relacionamentos idealizados renderam bons textos. Aí a Tati escreve sobre ser insegura, eu escrevo quando estou insegura, você escreve pra não ser tão insegura. Eu pensei então que quem escreve tem o mau hábito de prever cada linha das histórias, tentativa de tornar seus textos mais coesos. E a gente tem feito isso na vida real, quando concluímos antecipadamente que uma boa história não pode existir sem a protagonista sofrer até o final e que com certeza há um fim pra tudo. E sentir dor, não, isso não é comigo. Melhor nem começar então. É sempre assim. Aí eu escrevo, você escreve, Tati escreve. Porque na verdade, escrever não dói, não expõe. Quando a gente escreve, não quer a aceitação do outro, só quer flertar com a inspiração. Tão mais fácil transformar a vida em textos, e mudar o que tá ruim, e acrescentar o que pode melhorar, coisa de garota prolixa! Mais uma vez eu estou escrevendo sobre isso e terminando sem respostas. Assunto prolixo esse...

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