Aquela era uma manhã diferente. Tão acostumada a fugir, ela agora pensava em perder o medo. Sabia que não era como as outras pessoas; encarava a vida de frente, mas tremia toda quando lhe cobravam sentimentos. Parecia seca a pobrezinha, gostava do impossível, e gostava de propósito. Começou a contar nos dedos cada bom garoto que espantou. Perdeu as contas e desistiu. Não acreditava muito nas pessoas... pensava de um jeito certo e agia completamente errado. Só servia pra dar conselhos. Mas apesar de ter nascido tão fria, ainda tinha esperanças. Isso porque quando sonhava, ela era como as garotas normais, destemida, doce. Lá ela não tinha medo de ninguém. E aquilo era bom, gostava de sentir. Queria sentir de verdade. O desafio então era aprender a colocar as emoções pra fora e lidar com as pessoas reais. Também não confiava muito nas pessoas reais. Passou a manhã inteira suspirando, por nada, como as garotas normais. Não estava apaixonada, mas estava disposta. Tinha amolecido por dentro, obra do tempo mesmo. Talvez fosse só uma crise, mas queria mudar. Desafiou-se então, não ia mais fugir, nem inventar problemas, nem nada daquilo que fazia tão automaticamente. Sabia que isso era mais difícil que o vestibular, mas queria muito ser como as garotas normais. Precisava ser. E enquanto escrevia na terceira pessoa para se sentir menos exposta e para não se esquecer de mudar, ela ia amolecendo mais e mais, assim como as garotas normais.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
... se perder no abismo que é pensar e sentir
Aquela era uma manhã diferente. Tão acostumada a fugir, ela agora pensava em perder o medo. Sabia que não era como as outras pessoas; encarava a vida de frente, mas tremia toda quando lhe cobravam sentimentos. Parecia seca a pobrezinha, gostava do impossível, e gostava de propósito. Começou a contar nos dedos cada bom garoto que espantou. Perdeu as contas e desistiu. Não acreditava muito nas pessoas... pensava de um jeito certo e agia completamente errado. Só servia pra dar conselhos. Mas apesar de ter nascido tão fria, ainda tinha esperanças. Isso porque quando sonhava, ela era como as garotas normais, destemida, doce. Lá ela não tinha medo de ninguém. E aquilo era bom, gostava de sentir. Queria sentir de verdade. O desafio então era aprender a colocar as emoções pra fora e lidar com as pessoas reais. Também não confiava muito nas pessoas reais. Passou a manhã inteira suspirando, por nada, como as garotas normais. Não estava apaixonada, mas estava disposta. Tinha amolecido por dentro, obra do tempo mesmo. Talvez fosse só uma crise, mas queria mudar. Desafiou-se então, não ia mais fugir, nem inventar problemas, nem nada daquilo que fazia tão automaticamente. Sabia que isso era mais difícil que o vestibular, mas queria muito ser como as garotas normais. Precisava ser. E enquanto escrevia na terceira pessoa para se sentir menos exposta e para não se esquecer de mudar, ela ia amolecendo mais e mais, assim como as garotas normais.
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