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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sonho de adolescente

Oi Naty,


Os meus últimos dias têm sido completamente inundados pelo tédio e pela mesmice. Não há novidades e nem o que se fazer. Nesses fatídicos momentos, minha mente voa tão longe que chego a não conseguir acompanhá-la. Após pensar muito e avaliar uma série de sentimentos que pareciam abandonados, acabei confessando a mim mesma que ainda tenho aquele sonho de adolescente.

Sim, eu sigo pedindo por ele, como quem foi limitada a respirar e agora implora pelo ar. Nesse ato de profundo auto reconhecimento, percebo que aquela conversa definitiva só me fez encarar a realidade por alguns bons dias. Durante esse período de rebeldia, eu tentei fugir e encontrar quem eu costumava ser antes dele. Encontrei e fiz bom uso dessa garota insensível; realmente acreditei que havia melhorado e encontrado a minha velha fórmula do desapego. (Estava enganada, mais uma vez)

Eu percebi que havia fracassado quando acordei sorrindo, certa manhã. Eu realmente estava em êxtase e até lutei para voltar àquele sonho. Não consegui, levantei frustrada e comecei a relembrar o motivo daquela súbita alegria matinal. Era ele: tão lindo, tão radiante, tão meu. Incrível como eu consegui gravar a sua maneira de andar, falar, grgalhar e os seus trejeitos. Até a sensação de seu abraço apertado é fielmente reproduzida pelo meu inconsciente. Recordei-me perfeitamente de todos os seus tons de voz: o calmo, o nervoso, o sedutor.. suspirei pelo seu sorriso. Desejei que deixasse de ser um sonho, apenas.

Daquele dia pra frente, eu parei de mentir. Eu resolvi enxergar que aqueles outros não estavam conseguindo nada comigo. Ele ainda é o único que quebra minha superficialidade, que me causa impacto, que me faz querer abrir mão de tudo. Ele é a única pessoa que me faz engolir meu amargo orgulho, é o único por quem eu fico cega; é apenas ele que pode me ter, se quiser.
Eu me dei conta que sua partida foi tão repentina e abrupta, que não me permitiu assimilar a ideia da sua ausência; desde então, eu vivo de resquícios do pouco que um dia ele me deu. 

Essas linhas parecem versos de uma música sertaneja cansativa, que ninguém suporta ouvir mais. Eu tento abaixar o volume, mas ela permanece na minha cabeça. 
É como se eu estivesse completamente perdida em um deserto escaldante: tentar procurar o caminho certo só me deixa mais fraca e exausta. Prefiro, então, me recolher e esperar pela chuva; alguma nuvem há de me encontrar, ao som da velha música ou de uma nova melodia que me faça amar.

Volto a escrever, Bjs*

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