Eu tenho a síndrome do "e se". É, adoro brincar de prever o futuro, calcular meus passos e imaginar onde vou chegar com cada movimento que por ventura eu venha fazer. Vez ou outra me pego vasculhando o que passou, reorganizando as peças e montando mosaicos diferentes dos que foram construídos. O nome disso é insegurança, covardia pura. Aquele frio na barriga que dá só de pensar em entrar em um trem desgovernado, sem rumo. Quem tem medo pisa no freio e se agarra a qualquer coisa quando sente curva acentuada. Mas e se todas essas amarras fossem soltas? Temor, orgulho, preguiça. Aqueles sentimentos que só sabem me impedir de agir como de fato eu quero. E se eu não mais me prendesse ao que pode acontecer e entrasse no escuro, sem medo do que existe embaixo da cama? Tão difícil ensinar isso pra quem viveu se escondendo entre cobertores, fugindo dos monstros, dos fantasmas, do desconhecido. A coragem de me permitir tentar algo nunca arriscado antes, assumir a falta que alguém faz. Começar pelo começo, dar o primeiro passo, entrar no trem sem saber pra onde ele vai, sem perguntar quanto a viagem vai custar e o quão perigosa ela pode ser. Parar de pisar no freio, parar de pensar "e se", parar de ficar olhando esse trem passar.
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