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sábado, 28 de julho de 2012

perdida

(...) volto assim que me encontrar
 De repente, todas as minhas angústias vinham de uma perda, direta ou indiretamente. Olhei-me no espelho e tudo que vi foi uma pessoa absurdamente frágil, que só de encostar arranha, fere. Os olhos mareados pelo último telefonema, minha melhor-amiga-irmã contando as novidades da mudança para uma cidadezinha aqui do lado, papo estranho sobre repúblicas e calculadora hp. E mesmo sabendo que tem sido difícil estarmos juntas ultimamente, sua nova vida me casou tristeza. Talvez por eu saber que lá ela faria novos amigos, além de todos aqueles outros que surgiram nesse intervalo de doze anos de convivência, e isso me deixasse enciumada. Talvez porque eu concluí que não teria mais sua casa como fuga imediata cada vez que a minha estivesse desmoronando e isso me deixasse sufocada. Talvez por sentir que partir para um lugar novo, era, no fundo, tudo o que eu queria estar fazendo agora também. "Perder" a melhor amiga era apenas a última gota d'água pra quem tinha a sensação de ter se perdido de quem era, perdido a família perfeita, perdido as esperanças no grande amor blablabla, perdido a certeza do que fazer na vida. Estar perdida dói. Porque eu acredito que seja normal achar a casa dos pais estranha depois de certa idade, não se sentir tão a vontade como quando se tinha cinco anos e um quarto cheio de bonecas. A vontade de voar fala mais alto, ou então seja coisa de signo, capricornianos sempre tão independentes. A verdade é que há tempos eu anseio por uma mudança generalizada que não vem. Projeto-me para uma nova vida e ao ver que esta ainda está distante, murcho. É que todos esses limites que o acaso me impõe me deixam frustrada, e esse desejo de ter o mundo todo só cresce (mas sem espaço). E eu estou chata, carente, eu sei. Mas é por ter perdido o que eu ainda não tive. Nunca ter tido. Esperar é algo maçante e eu sou impaciente. Por isso tudo o que eu quero agora é colocar um sorriso sincero nos lábios, a vida em ordem e os planos na cabeça. Ficar confortável imaginando como será quando tudo isso se tornar possível, sem essa maldita voz incrédula do meu inconsciente atormentado dizendo que nunca será

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