Eu não pertenço a esse lugar. Eu não sou como essas pessoas. Não consigo ser feliz onde se cultiva tristeza e os problemas são ampliados pela lupa da irracionalidade. Eu sou tão diferente. Tudo o que eu posso desejar é ir embora, viver da minha maneira, distante. Quando fecho os olhos, eu vejo exatamente como é esse lugar em que eu sonho me abrigar: sem cobranças, sem pessoas que se machucam. Um lugar onde todo mundo se resolve na conversa franca, ignora o que faz mal e se une pra somar, nunca pra subtrair. Eu ouviria música boa o dia inteiro e ninguém ficaria culpando os outros pela própria fraqueza. Não haveria briga por causa da pilha de roupa pra passar nem mediríamos quem é que sofre mais. Disputa egocêntrica pela infelicidade não entra aqui não. O passado passou, o presente não é tão difícil quanto parece e o amanhã vai ser melhor, sempre! Conversa agradável, liberdade de dizer, maturidade de ouvir. Ainda não sei o endereço correto desse local, mas é próximo da liberdade (e eu não estou falando de um bairro). Ficar aqui é ver meus 19 anos serem sugados, é trair sonhos, é não poder ser eu. Ficar aqui é viver pensando em onde está Guilherme e no porquê dele ter esquecido de me encontrar. A culpa não é minha, a culpa não é do Guilherme. Quem causou tudo isso foram eles, tão cruéis com a alegria. Ficar aqui é colocar a culpa neles, colocar a culpa neles é fazer o que eles fazem e fazer o que eles fazem é não ser eu. Ficar aqui tem sido ver meus 19 anos serem sugados. E eu não quero mais ficar aqui, eu não pertenço a esse lugar.

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