Oi Naty,
É só uma fase. Ficar um tempo fechada não é tão terrível assim, até as borboletas o fazem. Quando o mundo todo parece um monstro à espreita debaixo da cama, o mais sensato é ficar encolhida, puxar a coberta e cobrir o rosto. Esperar. As pessoas precisam entender que ficar distante, pra mim, não é sinônimo de tristeza, é necessidade. Às vezes, a única companhia que eu quero, de fato, é a minha mesma. Não estou estranha, estou eu. Sou muito exposta, mas volta e meia me pego implorando por espaço, fazendo da solidão uma festa. Eu gosto muito do som da minha mente. E nesses períodos que passo dentro de um casulo, qualquer ruído diferente me dá nos nervos. É uma rinite social, ataca de vez em quando. Algumas pessoas se salvam da minha indisponibilidade; pessoas leves, que não potencializam meu humor-tempestade são muito bem-vindas. De resto, passem mais tarde. E fechem a porta quando saírem! Esse momento de metamorfose é só meu e peço licença para não dividi-lo com ninguém. Em alguns dias eu volto, e volto borboleta, cheia de vida, voando em bando. Mas pra isso preciso de um tempo lagarta, é tão quentinho aqui dentro. Acho que estou frágil e me isolando para não correr riscos. Não tentem me tirar do repouso, isso pode me deixar agressiva. É a velha liberdade de que tanto falo. Liberdade de poder tirar férias, ir para uma ilha deserta comigo mesma. Mistura de chatice com cansaço. Ouvir as minhas músicas, pensar do meu modo, fechar e abrir a geladeira sem pegar nada lá dentro; tudo isso parece justo para uma pessoa que nasceu com síndrome de mulher maravilha, que acha que pode carregar o mundo todo nas costas. Eu volto logo, mas é que até as rochas precisam de oxigênio, muita gente tem me sufocado. Mas eu juro que volto. E volto borboleta, quando o verão chegar.

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