Oi Naty,
Esse título soa tão irônico pra quem vive um momento como o meu. O que era pra ser o seu espaço de fuga, longe da loucura do mundo, agora se tornou o lugar onde você menos deseja estar. E se pudesse, não estaria ali mesmo. Maria brigou com Antônia que brigou com José que brigou com Maria que brigou novamente com Antônia que brigou com José...
Esse título soa tão irônico pra quem vive um momento como o meu. O que era pra ser o seu espaço de fuga, longe da loucura do mundo, agora se tornou o lugar onde você menos deseja estar. E se pudesse, não estaria ali mesmo. Maria brigou com Antônia que brigou com José que brigou com Maria que brigou novamente com Antônia que brigou com José...
Parecem versos de um poema famoso, mas, na verdade, é a minha vida nada poética. Se isso fosse realmente apenas um poema, as pessoas se gostariam, ao invés de travarem uma guerra domiciliar. Nesse cenário hostil, ninguém consegue escapar do problema. Aliás, as pessoas que não deveriam estar no meio do fogo, são as pessoas que mais se queimam. Em uma briga de duas pessoas ignorantes e infantis, quem é dotado de racionalidade e educação, acaba servindo de válvula de escape. Injusto, não?
No começo, eu sabia claramente quem tinha a razão e quem havia errado. Agora, os dois lados me parecem ridículos e me fazem querer gritar. Gritar verdades, dizer o que elas não querem ouvir. Mas você deve imaginar que em um lugar em que vivem selvagens, eles não saberiam entender o que você está dizendo, uma vez que a linguagem que eles falam é muito própria e arcaica. Possivelmente, eles ouviriam uma frase e começariam outra briga. Não é minha intenção, definitivamente. O pior de tudo é perceber que isso não precisava nem ter começado, pois se as duas pessoas ignorantes tivessem um diálogo amistoso, típico de pessoas normais, provavelmente isso não teria tomado proporções tão exacerbadas. Pra mim, não existe mais filha carente nem mãe ofendida. Ambas são crianças que não se entendem e brigam como se disputassem um brinquedo. Cruel da minha parte definir as coisas assim, mas depois de um certo tempo, você espera que as pessoas reajam. O que não acontece.
Eu tenho admiração por quem não se abate, por quem levanta a cabeça e resolve os problemas com inteligência. Eu gosto daqueles que não brigam, conversam. Eu tenho repulsa por quem apenas segue instintos, não raciocina, não usa a razão. Tudo que eu queria nesse momento, era que essa briga acabasse por meio de um diálogo simples e sincero. Utopia.
Quando eu fecho os olhos, imagino o quanto seria bom fugir pra um lugar onde eu fosse capaz de sentir algo bom, ao lado de pessoas que me façam sorrir por coisa a toa. Eu poderia ir agora pra Califórnia, pois esse é o lugar que abriga os sonhos do meu maior sonho. Nós poderíamos ir juntos, sem olhar pra trás. Talvez um dia eu até conseguiria ser médica. Ou não. Talvez eu passaria a vida vendendo água de côco. Mas isso, no momento, é melhor do que viver no meio da guerra, onde o ar pesado impede a respiração e o silêncio mórbido ensurdece. Família tem um significado diferente desse que estão me ensinando. Mas eu fecho a porta, aumento o som e me sinto, por um instante, em uma cidadizinha litorânea, na Califórnia, longe de tudo, longe de todos. Apenas eu, você e o mar.
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