Oi Naty,
Lutar, não desistir. Há três posts atrás, eu afirmei com convicção que não iria abandonar o meu sonho em virtude da dificuldade que ele representa. Hoje, por alguma razão, eu sinto como se isso fosse a maior utopia do mundo. A sensação que eu tenho, é que por mais que eu queira e por mais que eu me esforce, nunca chego perto de ser boa o bastante pra pelo menos poder acreditar em mim mesma. Sinto-me como uma menina mimada, que sabe que não pode ter uma coisa, mas mesmo assim faz birra para consegui-la.Nesse momento, o sonho de ser médica parece tão distante quanto aquele que eu tinha de me tornar uma princesa encantada, quando criança.
Alguma coisa dentro de mim está morrendo aos poucos e é como se existisse alguma força fazendo o possível para me derrubar, pelo simples prazer de assistir eu me rendendo ao medo.
Se eu disser às pessoas que acreditam em mim o quanto eu estou incrédula comigo mesma, elas provavelmente me apoiarão com um discurso repleto de positividade e fé. Essas virtudes parecem não se apegarem a mim mais, pois eu me sinto cada vez mais fraca e sem esperanças. Eu queria muito estralar os dedos e tornar as coisas mais fáceis, em um passe de mágica. Eu aliviaria a minha dor, a angústia dos que me cercam e sairia de vez dessa imprecisão escura que se tornou a minha vida.
Estou concluindo que o maior desafio do vestibular, não é o teste de conhecimento, e sim a prova de resistência, de persistência. Por mais que Saturno tenha me abençoado com essa determinação natural de capricórnio, eu não sei afirmar se sou forte o bastante para encarar essa competição.
A medicina tem sido cruel em demasia, fazendo com que eu sinta raiva do próprio sonho que tenho. Diante de tanto desespero, eu fecho os olhos e uma cena me confunde ainda mais: eu criança, com minha boneca "bebê gessinho", fingindo ser médica e imaginando que um dia aquilo deixaria de ser uma brincadeira e passaria ser a minha profissão. Eu sabia que isso sempre seria o meu sonho.
Eu respiro fundo, enxugo as lágrimas e me pergunto pela milésima vez: "posso eu ainda sonhar?".

Leia a ultima frase do post antigo, onde você dizia que sacrifícios é melhor do que viver uma vida de desilusão. Se existem pessoas que acreditam em você é porque você é capaz! Medicina é sinônimo de Juliana.
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ResponderExcluirPor incrível que pareça, você não é a única pessoa que se sente de tal maneira. Eu, Bárbara, sofro a cada dia que passa por me sentir incapacitada de entrar em uma faculdade de medicina. O processo está me desgastando, pois além da pressão da escola, existem alunos e até amigos meus que estão surtando e me assustam cada vez mais já que é impossível eliminar a competição em um meio onde há muitas pessoas que querem fazer o mesmo e são realmente capacitadas. Foi interessante encontrar alguém que pensa similarmente. Eu só espero que a gente não deixe de lutar por aquilo que amamos por causa do alto grau de dificuldade.
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