Oi Naty,
Na noite anterior ao meu aniversário, eu tive um sonho que realmente tem me intrigado.
Eu estava em um bondinho, em um cenário um tanto antigo. Ao meu lado, sentava uma velha amiga, que há muito não vejo. Conversávamos e ríamos, quando de repente entrou uma figura estranha naquele transporte arcaico. Era uma mulher, grande, volumosa, quase careca. Medo foi a sensação que tive ao vê-la. Naquele momento, eu tive a nítida sensação de conhecê-la, de fato, se é que pode existir alguém com aquelas características em um plano fictício. Minha amiga me alertou: " Ju, essa senhora é louca, mas muito sabe sobre o futuro".
Ao olhar para o lado, vi aquela imagem pavorosa me observando, estática, como se tivesse algo a dizer. Eu a encarei, como quem desse uma autorização para que ela dissesse o que a incomodava. Ela despejou várias palavras, que formaram frases confusas, das quais não consigo me recordar. Ao terminar, eu ri, ironicamente, duvidando de sua capacidade quase mediúnica de prever o futuro. Resolvi desafiar: " Você não sabe de nada, está me enrolando". Ela ficou claramente ofendida e friamente disse: " Você quer fazer medicina, não é?"
Fiquei calada. Nos meus pensamentos, concluí que não havia mencionado isso e que não tinha outra explicação para ela saber desse detalhe da minha vida, senão sendo uma vidente. Respondi, envergonhada: "Sim". Comecei fazer perguntas, questionar o meu futuro. A maior parte do nosso diálogo foi apagado pela minha memória, mas ainda posso vê-la dizendo: "Você faz muitos planos para o futuro, nem viverá tanto para isso". Retruquei: "O que é viver pouco para a senhora?". Rapidamente, ela respondeu: "Tempo suficiente para concluir sua faculdade, mas tempo demasiado curto para exercer sua profissão". Extremeci, calculei que minha morte se daria por volta dos trinta anos, no máximo. Perguntei: "Tenho dúvidas sobre a faculdade, o que farei?". Sem pensar ela disse: "Você nasceu predestinada ao jornalismo. No entanto, ao decorrer da vida, você se deixou seduzir pela medicina, se apaixonou e optou por mudar seu caminho. Fará medicina, mesmo." Fiquei contente por saber que de fato me tornaria médica.
Nosso encontro foi interrompido, meu sonho se tornou confuso e não mais a vi. Acordei pensando nisso, no nível de verdade que poderia haver nas palavras daquela estranha mulher.
Confesso que agora estou temendo quanto tempo ainda viverei. Nunca me preocupei com isso, mas não posso deixar de pensar no quanto seria ruim falecer tão precocimente e deixar pra trás tantos planos não concretizados. Estou com medo, sim.
Volto a escrever, Bjs*

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